terça-feira, 4 de junho de 2013

A linguagem e as culturas: Dos acidentes aéreo aos conflitos econômicos

                Acabei de ler um livro muito interessante que o Leonel GT de educação da XP para o Rio grande do Sul me recomendou.  O título é “Outliers” ou Fora de Série de Malcolm Gladwell.  Basicamente esse cara dedicou sua vida ao estudo social e ambiental de pessoas que se destacaram em nossa sociedade e apresenta dados que auxiliam na compreensão do ambiente, local e datas nas quais oportunidades estavam disponíveis à esses talentos.
                O caso que vou abordar aqui é o dos pilotos da Korean Air – Empresa de aviação lá da terra do Psy (Gangnan Style).  De 1988 à 1998 o índice de acidentes aéreos da American Airlines foi de 0,27 por 1 milhão de voos enquanto o índice da Korean Air foi de 4,79 por milhão, número 17 vezes maior.  E o mais intrigante era que a empresa aparentemente não apresentava nenhum problema até então percebido, tinha pilotos de classe elevada que sempre executavam suas atividades depois de boas horas de descanso, aviões com a manutenção sempre em dia, além de uma equipe auxiliar sempre atenta.  O que poderia estar errado então?  Na década de 1960 à 1970 um psicólogo holandês Geert Hofstede que trabalhava na IBM aplicando testes em todo o mundo para entender como as pessoas resolviam seus problemas, como trabalhavam juntas e quais eram suas atitudes em relação à autoridade descobriu que a distinção entre culturas pode ser feita de acordo com o grau de expectativa que elas têm em relação ao fato de os indivíduos cuidarem de si mesmos.  Chamou de escala individualismo-coletivismo e gerou uma escala chamada de “índice de Distância do poder, IDP”.   Pois bem, trazendo para o caso da nossa Korean Air, descobriu-se que a interpretação de um diálogo coreano é feita pelo ouvinte, cabe a ele entender o que está sendo dito, além disso a Coreia é um país que possui um IDP alto, ou seja os subordinados tem respeito em demasia pelos seus chefes e muitas vezes mesmo vendo que suas atitudes poderão ser prejudiciais não se manifestam.
Ex: O Locutor fala: Está frio e estou com fome, ele espera que o ouvinte entenda Por que você não compra uma bebida ou algo para comer?  Totalmente diferente da comunicação ocidental onde quem envia a informação é o locutor com informações mais claras e objetivas. 
Em um caso em específico, um acidente em especial, o copiloto não foi claro com a torre aos passar as informações  por “respeito” ao piloto e o avião, acreditando em suas sutis palavras estar passando as informações precisas da situação que se encontravam, por fim o avião  acabou batendo no monte Nimitz na ilha de Guam , dizimando todos à bordo.
Assim como nesse caso muitas vezes acreditamos estar passando a correta informação da situação em que nos encontramos, porém o ouvinte pode esta entendendo outra coisa.  Nas relações econômicas é muito comum a pessoa almejar um objetivo e acabar sendo conduzido por um caminho diferente, basicamente porque o ouvinte não conseguiu entender plenamente seu planejamento.  Por isso é importante a leitura e o estudo para que possamos entender de forma mais clara o que queremos, quais nossos objetivos a curto, médio e longo prazo para que possamos falar e nos fazer entender, para termos o domínio de nosso planejamento em nossas mãos.

                

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